Curiosidades, Intercâmbio, Viagens

27 de maio de 2015

Porque intercâmbio não tem data de validade

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Existem algumas aventuras na vida que a gente acha que tem prazo de validade ou que tem uma idade limite para fazer. O intercâmbio é uma delas. Mas quem disse que esse tipo de experiência deve ser apenas para jovens? Para desmistificar esse conceito, o Intercambistas conversou com o fotógrafo Léo Pinheiro, de 38 anos, que resolveu sair da sua zona de conforto no Brasil, deixando para trás sua casa, trabalho e família, para se aventurar pela Europa com sua esposa.

Se liga na conversa:

Intercambistas: O que você fazia exatamente no Brasil?
LP: Eu era jornalista, trabalhei para agências de fotojornalismo e jornais no Brasil. Fotografava tudo, em qualquer editoria, mas era no esporte que eu conseguia mostrar melhor meu trabalho, e apesar da ligação com o jornalismo desenvolvia um trabalho também com o mercado corporativo.

Intercambistas: Por que você decidiu largar tudo no Brasil e tirar um ano sabático em Dublin?
LP: Por que estava buscando qualidade de vida. Queria um lugar, onde eu tivesse segurança por exemplo. Não queria mais ter medo de fotografar na rua. Em Dublin consigo fazer isso, a qualquer hora do dia. Além do que, o “ano sabático”, foi a chance de ter uma experiência como morador e não mais como turista em um país, também começar a falar inglês de verdade e uma chance de reciclar meu olhar, sair da minha zona de conforto e redescobrir minha fotografia.

Intercambistas: Por que você escolheu Dublin?
LP: Dublin era uma relação custo benefício muito vantajosa. Estou próximo de grandes centros da Europa. Em no máximo 3 horas de voo estou em Berlim, por exemplo. Dublin é uma grande cidade com alma de cidade pequena. Sou de São Paulo, uma cidade com quase 12 milhões de habitantes e chego em Dublin com seus 560 mil habitantes, me sinto em um bairro paulistano. Tenho aqui uma qualidade de vida impressionante: transporte público que funciona perfeitamente, não tem trânsito, vou ficar me repetindo, é uma covardia a comparação com São Paulo.

Intercambistas: Como foram seus primeiros meses na ilha?
LP: Não foi tão fácil quanto achei que seria. É uma nova cultura, é uma nova realidade. Cheguei na metade do outono, o frio também era um adversário. Mas o principal foi descobrir que meu inglês era muito ruim. Isso somado ao sotaque extremamente complicado do irlandês, dava uma vontade de desistir. Morava em SP há vinte anos, sou carioca, fui criado rodando por estados do norte do país, então já estava um pouco habituado a rotina de recomeçar em uma nova cidade. Mas uma coisa é você recomeçar em uma nova cidade onde você fala a mesma língua que o atendente da empresa de energia e outra é recomeçar do zero em uma cidade que você não tem pai, mãe, ninguém para pedir ajuda. Você praticamente começa do zero em um lugar onde você não é ninguém. É um desafio imenso, mas se você estiver com espírito aberto para esta nova experiência, se livrar daquele pensamento de “no Brasil não é assim”, é possível curtir a nova experiência.

Intercambistas: Muitas pessoas falam que existe um limite de idade para se aventurar em um intercâmbio. Qual sua avaliação sobre isso?
LP: Não existe idade para nada. Tenho quase quarenta anos, mas com uma vontade de aprender que é a mesma de uma criança. Besteira perder tempo e oportunidades por causa da idade. Acho que no meu caso, devido a minha experiência, usufruo muito mais das oportunidade que viver no exterior proporciona. Não me considero intercambista. O intercambista vem, para ficar um perído estipulado e vai embora. Eu optei por ficar e ficar como local. Moro em uma casa alugada por mim, em um bairro tipicamente irlandês, procuro descobrir o que o morador faz para se divertir, tenho amigos irlandeses, franceses, italianos, koreanos, mexicanos, argentinos e brasileiros também. Só intercâmbio é muito pouco, quero mais.

Intercambistas: Como você se enxerga daqui 5 anos?
LP: Além de ter mais cabelos brancos? Não sei. Sinceramente procuro não pensar nisso, não gosto de fazer planos a longo prazo. Sei que até o ano que vem com certeza continuo morando em Dublin. Depois disso, não sei. Prefiro ir vivendo.

Perfil
Leonardo Alexandre Gorgueira Pinheiro Fontes, mas chama de Léo Pinheiro que ele atende. Publicitário e jornalista, que cursou biologia e história. Fotógrafo desde sempre, fotojornalista há quase dez anos. Trabalhou para as agências Futura Press, Agif, Fotoarena, Frame, Eleven, portal Terra, IG e jornal Agora SP. Carioca paulistano, que descobriu que o mundo é o seu país.

Site: http://www.leopinheirofotos.com/

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