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5 de agosto de 2015

Que tal fazer uma visita noturna ao Coliseu?

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Assim como milhares de outros brasileiros, sou descendente de italianos e sempre sonhei com o momento em que enfim colocasse os pés na “Cidade Eterna”, como é conhecida a capital, Roma. Eram muitas perguntas pra responder: será mesmo que a pizza “não é tão boa assim” (mentira, é deliciosa, mas isso fica pra outro post), que o gelato é a oitava maravilha do mundo, que o trânsito é caótico e que todo mundo fala alto e gesticulando com as mãos?

Além de tudo isso, eu mantinha uma grande expectativa em torno do Coliseu. Fascinado desde criança pela mitologia e história greco-romana, os livros, filmes e documentários sobre a milenar construção sempre me deixaram com aquela vontade inexplicável que os viajantes têm de conhecer um lugar em específico, por conta de uma conexão emocional que a gente não sabe de onde vem.

 

Passagens aéreas

Vamos começar pelo primordial: como chegar lá. Morando há mais ou menos 10 meses na Irlanda, já perdi a conta de quantas vezes voei pela Ryan Air, a famosa cia. aérea irlandesa de baixo custo que atende praticamente todo o continente europeu com ótimas tarifas – já voei muito para Manchester (UK), por exemplo, por 9.99 €. Como fui para Roma no final de julho, ou seja, em alta temporada, as passagens não estavam tããão baratas, mas mesmo assim eu e minha namorada conseguimos um preço relativamente bom: 137.98 € por pessoa, ida e volta (Dublin – Roma).

Uma dica muito boa é utilizar o Google Flights, que compara o preço das passagens aéreas em diversas companhias e te apresenta o melhor. Além disso, você pode abrir o calendário e ver quando o melhor preço possível para aquele trecho está disponível. Quando coloco Dublin/Roma, por exemplo, ele me mostra que em novembro existem datas com ida e volta por apenas 64 €! mapa

 

Transporte em Roma

A Ryan Air trabalha com o aeroporto de Ciampino, que fica a 26km da estação central de Roma. No aeroporto você encontra facilmente várias opções de transfer até o Termini, estação central da cidade. Eu usei o SIT Bus Shuttle, que te dá a opção de fazer o booking online antecipadamente por aqui.  A viagem dura entre 35 e 45 minutos e, fazendo o booking online, custa 4 € o trecho.

Se você não fala nada de italiano mas se vira um pouquinho no inglês não vai ter muito problema, toda a sinalização apresenta traduções na língua inglesa e os atendentes são simpáticos e falam com você em inglês sem problema – pelo menos a minha experiência foi assim ;).

Quanto ao transporte público, nós vimos que existia o Roma Pass, que te dá direito a utilizar todos os meios de transporte + algumas atrações turísticas. Como estávamos incertos ainda quanto a nossa programação, optamos por pegar somente o B.T.I 3-day tourist ticket, que custa 16.50 € e te dá direito a utilizar todos os meios de transporte (trem, ônibus, metrô) por um período de 72 horas a partir do primeiro uso, quantas vezes quiser. Fazendo as contas, fica 5.50 € por dia. Considerando que utilizamos muito o ticket, compensa bastante!

Dica: se você visitar Roma no verão e for utilizar o transporte público, esteja preparado para se sentir no Brasil. As estações de metrô que ficam próximas aos principais pontos turísticos ficam lotadas e a sensação térmica é de muito, MUITO calor. Aliás, uma dica muito válida é sempre estar com uma garrafinha de água em mãos, pois há várias “bicas” onde você pode enchê-la ao redor da cidade.

 

A busca pelo tour

Como disse, nós não estávamos com uma programação turística definida, só o que era certo era nossa visita ao Coliseu. Pesquisando para fazer a compra do ticket online (que você pode fazer aqui e evitar as longas [muito longas] filas), descobri que havia um outro tipo de visita ao monumento, feita com um grupo menor de pessoas e durante a noite.

Um dos guias do Coliseu nos informou que a capacidade do número de visitantes da atração é de 3.000 pessoas, e, como já disse acima, o verão italiano pode ser bem quente. Sendo assim, a chance de ver o anfiteatro mais antigo do mundo em um passeio mais “exclusivo”, com temperatura agradável e sob a luz da lua nos apeteceu bastante.

Entretanto, eis aí o nosso primeiro erro: apesar de mochileiros experientes, nessa viagem em específico não tivemos tempo de programar nosso itinerário, decidir um cronograma do dia etc. etc., então ficou tudo pra ser feito “na hora”. Os passeios noturnos ao Coliseu, apesar de serem uma atração nova, estão chamando muito a atenção e esgotando os ingressos com dias (e até semanas) de antecedência.

O site que o guia do Coliseu nos indicou para comprar o ticket por 20 €, Coop Culture, não te dá a opção de comprar online, apenas por telefone. Tentamos no primeiro dia e ficamos quase 1h na ligação, até desistirmos. Tentamos comprar na hora, mas foi lá que descobrimos que estava tudo esgotado. No outro dia ligamos bem cedinho, e depois de meia hora na linha conseguimos falar com a atendente…apenas pra saber que não tinha mais tickets, nem por telefone. Foi o primeiro balde de água fria.

Procuramos por outras empresas que faziam o passeio (bem mais caro) no bom e velho Google, e até eles estavam com as vagas esgotadas. Passamos a manhã inteira atrás disso,  até enfim desistirmos e comprarmos o ticket para o passeio normal,  durante o dia.

No caminho da Piazza Venezia até o Coliseu, pela Via dei Fori Imperiali, passamos por alguns guias oferecendo os tours de suas respectivas empresas. Por descargo de consciência perguntávamos se eles tinham algo disponível para o tour noturno, sempre sendo frustrados pela negativa. Na última abordagem, quando quase nem estávamos mais perguntando, veio a luz no fim do túnel: a Italy With Us tinha dois lugares disponíveis para o Colosseum Under the Moon daquela noite. Milagre!

Pagamos, porém, pelo preço do despreparo: 70 € por pessoa (lembrando que o ticket antecipado no Coop Culture é apenas 20 €).

Apesar de ser mão de vaca, admito que foram 70 € muito bem gastos. O passeio conta com uma ótima recepção com comes (queijos, azeitonas, tomatinhos etc.) e bebes (água, champagne, vinho) e um pequeno rádio que você usa com um fone de ouvido pra ir ouvindo a fala da guia (muito simpática) claramente, independente da distância.

Antes do Coliseu a guia nos levou em uma caminhada de mais ou menos 1h30 para ver e conhecer as histórias do Foro Romano e do Mercati di Traiano, além de outros prédios e locais históricos do entorno do Coliseu (incluindo a famosa estátua da loba com Rômulo e Remo). Uma ótima e interessante introdução!

 

O Coliseu à noite

Pois bem, eis que por volta das 21h chegou a hora de conhecermos a atração principal. Por conta do horário diferenciado, é obrigatório que estando dentro do anfiteatro você esteja acompanhado de um funcionário do próprio Coliseu, razão pela qual no início do tour trocamos de guia.

Ele nos levou para conhecer o interior do Coliseu, e o arrepio é inevitável no momento que você entra na “arena” – na verdade, uma pequena reconstrução da área que servia como arena, já que esta não existe mais e é possível ver apenas o subterrâneo, onde ficavam os animais, cenários etc. Você está ali, no exato espaço onde há séculos atrás gladiadores lutavam por suas vidas. Poder andar pelo Coliseu com ele vazio e sob a luz da lua é realmente uma experiência que vale muito, muito a pena.

Independente se você for no tour noturno ou não, a dica é que você faça uma visita guiada. Ouvir as histórias do monumento e das peças em exposição é uma atividade de riqueza cultural incrível. Aprendemos coisas como:
– O Coliseu foi construído em cerca de apenas dez anos (alô governo brasileiro);
– A famosa cena do imperador permitindo ou não a morte do gladiador levantando ou abaixando o polegar foi inventada e nunca aconteceu (sim, meu mundo caiu também);
– O Coliseu tinha cobertura;
– Os senadores sentavam próximos à arena e tinham seus nomes gravados no assento;
– Diversos animais foram mortos nos eventos do Coliseu, desde tigres e ursos até um elefante!

IMG_1994 Demos sorte também pois quando fomos eles haviam recém-inaugurado uma nova atração, uma réplica da estrutura usada para elevação dos animais até a arena que foi construída para um documentário. Sabe aquela cena dos escravos empurrando uma estrutura que funcionava como elevador? Pois é, existiam 36 delas ao longo da arena e agora eles possuem uma réplica perfeita de uma delas para vermos bem como funcionavam.
Pudermos ver também as fantásticas pedras angulares ORIGINAIS, provas incríveis de engenharia e arquitetura. Elas sustentam a estrutura por pura física e gravidade, sem nenhum tipo de material “grudando” os blocos. IMG_1991

As peças expostas são um espetáculo à parte: alguns dos assentos originais com o nome dos senadores, pedaços das paredes com assinaturas dos gladiadores (que faziam isso como uma forma de preservar a sua história, já que sabiam que estavam prestes a morrer), maquetes, imagens que mostram como era o Coliseu antigamente, enfim, uma série de conteúdo indispensável aos amantes de história.

Saímos de lá extasiados, foi até agora o melhor passeio da minha vida europeia e recomendo a todos que tiverem a oportunidade! Se você tem interesse em repetir o passeio e deseja saber alguma dúvida, deixe um comentário aqui que ajudarei como puder 🙂

Grazie mille!

Fotos: Guilherme Machado/ Intercambistas

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