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3 de maio de 2017

O fogo eterno da Nova Zelândia

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Há uma abundância de trutas nadando pelos rios que cercam a vila isolada de Murchison, na Nova Zelândia. Pescadores vêm do mundo inteiro para tentar a sorte. Mas a truta não nada no rio Blackwater.

Um rio aparentemente comum e corrente na parte sul da Ilha, o rio Blackwater tem um traço inconfundível: a água carrega querosene. É pouco, mas foi o suficiente para dar ao Blackwater seu nome, e forte o suficiente para manter as trutas bem longe. Há óleo enterrado nestas colinas, e em uma parte profunda no Vale Blackwater, o óleo alimenta um fenômeno natural pouco conhecido por turistas.

Fogo Nova Zelândia

Os locais chamam o fenômeno de ‘Gas Blows’ (sopros de gás), mas Merve e Shirley Bigden – uma pequena empresa familiar de excursão – o nomearam de ‘Experiência Natural das Chamas’. Desconhecido para a maioria dos viajantes – e na verdade para a maioria das pessoas fora de Murchison, uma vila de duas ruas a 125 km sudoeste de Nelson – um estranho caldeirão de chamas amarelas brilhantes queima eternamente no meio da floresta, alimentado por gás natural e metano que escapam continuamente do chão.

O caldeirão de chamas tem queimado, de acordo com a lenda, desde a década de 1920, quando um casal de caçadores se sentou para fumar e um deles jogou fora seu fósforo, acendendo repentinamente o gás que vazava ao lado deles. Os Bigdens dizem que o caçador realmente sentiu o cheiro no ar e, em um momento de loucura, acendeu um fósforo para ver o que aconteceria. Independentemente disso, as chamas raramente se apagaram desde então.

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Uma estrada esburacada de 15 km para o sul leva a uma suave e ondulada trilha de 2,4 km feita a pé através de arbustos verdejantes. Shelley Neame, que possui raízes fortes em Murchison, vindo de uma linhagem familiar que vem de 1800, quando a área foi estabelecida. Ela faz as excursões e sabe muito sobre a história local.

Na trilha há uma velha plataforma que tentou perfurar óleo na década de 1970 sem muito sucesso. Ela também explica como o moa – agora extinto, foi um animal grande como um avestruz que vivia pela região e a relação dele com a bizarra árvore horoeka, que evoluiu rígida, com folhas afiadas e com textura parecida com couro, para manter o moa afastado.

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Então, uma vez que cresceu alto o suficiente para ficar fora do alcance dos bicos dos pássaros, evoluiu para se tornar uma árvore alta e coberta com folhagem verde na copa. As árvores ainda crescem desta forma, balançando suas cabeças exuberantes ao longo da trilha (foto acima).

Após uma hora de caminhada, as chamas brilhantes e amareladas já começam a aparecer, queimando no chão, no que parece um caldeirão com alguns metros de largura. Cercado por uma faixa verde de samambaias e árvores nativas úmidas, o poço de fogo silencioso queima lentamente.

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Neame colocou algumas panelas sobre as chamas para ferver água e adicionou chá. Ela então colocou uma frigideira sobre as rochas quentes para fritar algumas panquecas, oferecendo-nos mel como uma cobertura. Era um mel de castanha de Tutaki, um mel local e muito apreciado na região.

Fogo Nova Zelândia

Existem pelo menos outros nove lugares ao redor do mundo onde existem chamas que queimam o tempo todo. Os dois mais conhecidos são grandes atrações turísticas e provocam histórias mitológicas maravilhosas e outras de cunho religioso.

Yanartaş, no Monte Olympos da Turquia, dezenas de pequenos incêndios queimam continuamente a partir de lacunas na rocha, suficientemente brilhantes para uma vez guiar marinheiros durante a noite. Estão lá há pelo menos 2.500 anos e acredita-se que o local deu origem ao mito da Quimera de fogo na Ilíada de Homero. Mais abaixo do local onde as chamas queimam estão as ruínas do templo de Hefesto, o deus grego do fogo, metalurgia, forjas e ferreiros (foto abaixo).

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Uma outra chama eterna queima no templo de Jwalamukhi, que fica na cidade de Himachal Pradesh, Índia. É adorado como uma divindade e atrai milhares de peregrinos todos os anos, que trazem oferendas de doces, leite e frutas.

A Nova Zelândia, é um país geologicamente e culturalmente novo, não tem nada como os locais acima; Seu equivalente às ruínas clássicas da antiguidade são os seus antigos arbustos, pássaros, águas e paisagem. Mas esta maravilha natural é única: em nenhum outro lugar do mundo as chamas se queimam sem ser perturbadas no meio do mato espesso e despovoado.

Esperamos que tenham gostado e até a próxima.

Créditos: Naomi Arnold.

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